Exclusivas Lei Magnitsky

EUA avaliam novas sanções contra Alexandre de Moraes em meio a tensão diplomática com o Brasil

Segundo o Financial Times, governo Donald Trump voltou a discutir a possibilidade de aplicar medidas contra o ministro do STF; eventual retomada da Lei Magnitsky ocorreria meses após as sanções anteriores terem sido retiradas

17/08/2026 00h07
Por: Fernanda Lupper Fonte: Alexandre de Moraes (Reprodução / TV Justiça)
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A relação entre Brasil e Estados Unidos pode ganhar um novo capítulo de tensão. O governo de Donald Trump voltou a avaliar a possibilidade de impor novas sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo reportagem publicada pelo Financial Times neste domingo (16/8). A informação também foi confirmada pela Reuters, que citou fontes familiarizadas com as discussões.

A eventual medida representaria uma retomada de uma estratégia já adotada por Washington em 2025, quando Moraes foi incluído no programa de sanções associado à Lei Global Magnitsky. As restrições, entretanto, foram retiradas pelo governo norte-americano em dezembro daquele ano.

Agora, de acordo com o Financial Times, o governo norte-americano voltou a discutir a possibilidade de novas medidas diante de decisões recentes do ministro que, na avaliação de autoridades dos EUA, levantariam questionamentos relacionados à liberdade de imprensa e aos direitos individuais.

Operações contra jornalista entram no centro da discussão

Um dos episódios que teria provocado a retomada das discussões envolve uma determinação de Moraes para realização de buscas contra um jornalista e pessoas apontadas como suas fontes. O caso estava relacionado à divulgação de informações sobre o ministro Flávio Dino, também integrante do STF, e familiares.

Segundo o Financial Times, autoridades norte-americanas demonstraram preocupação com os limites da atuação judicial brasileira e avaliaram que a operação poderia representar uma interferência sobre a liberdade de imprensa.

A possibilidade de novas sanções, portanto, não significa que uma decisão já tenha sido tomada. Até o momento, trata-se de uma avaliação interna do governo dos Estados Unidos, conforme as informações divulgadas pelo jornal britânico e repercutidas pela Reuters.

Moraes já havia sido sancionado pelos EUA

O ministro já havia entrado na mira do governo Trump em julho de 2025. Na ocasião, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Moraes com base na Global Magnitsky Human Rights Accountability Act, legislação utilizada pelo governo norte-americano para impor medidas financeiras e outras restrições a estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos ou corrupção.

Na justificativa apresentada à época, o governo dos EUA acusou Moraes de autorizar detenções consideradas arbitrárias e de promover restrições à liberdade de expressão. Washington também relacionou a medida à atuação do ministro em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As sanções foram posteriormente retiradas em dezembro de 2025, após uma mudança no cenário diplomático entre Washington e Brasília.

Nova possibilidade aumenta tensão entre Washington e Brasília

A discussão sobre uma eventual retomada das sanções ocorre em um momento de relações mais delicadas entre os dois governos, marcadas por divergências políticas, comerciais e institucionais.

Caso o governo Trump decida novamente utilizar a Lei Magnitsky contra Moraes, a medida poderá ampliar ainda mais o desgaste diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Por enquanto, porém, não há confirmação de que novas sanções tenham sido formalmente decretadas.

A Casa Branca e o Departamento de Estado não comentaram publicamente a informação divulgada pelo Financial Times, enquanto o STF também não havia apresentado manifestação sobre o relato até a publicação das reportagens.

 
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