A decisão do governo federal de proibir as apostas esportivas no Brasil passou a movimentar também os bastidores políticos do futebol. Segundo o jornalista Rodolfo Schneider, da BandNews TV, clubes brasileiros discutem a possibilidade de manifestar apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.
A informação foi revelada nesta terça-feira (6/10), durante o programa “X da Questão”. De acordo com Schneider, as conversas ganharam força após a decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets às vésperas do primeiro turno.
Entre os clubes mencionados por Rodolfo Schneider está o Corinthians. Segundo o jornalista, dirigentes de equipes que se posicionaram contra a proibição das apostas estariam avaliando a possibilidade de assumir um posicionamento político.
“Houve conversas referentes a clubes, como, por exemplo, o Corinthians, da possibilidade de clubes que, inclusive, se manifestaram de forma contrária à posição do governo”, afirmou Schneider na BandNews TV.
Até o momento, porém, não há anúncio oficial de apoio a Flávio Bolsonaro por parte do Corinthians ou das demais equipes citadas. A informação permanece no campo das articulações de bastidores relatadas pelo jornalista.
A discussão acontece em meio à forte reação de clubes e dirigentes à medida do governo. As casas de apostas se tornaram uma importante fonte de patrocínio para o futebol brasileiro, e a proibição atingiu diretamente contratos comerciais de diversas equipes.
Na Série A, 14 dos 20 clubes tinham empresas de apostas como patrocinadoras principais, segundo levantamento divulgado após a medida.
Rodolfo Schneider também citou Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, ao comentar a insatisfação de dirigentes com a decisão. Outros presidentes de clubes também teriam criticado a forma como a proibição foi anunciada.
Durante o programa, Schneider também mencionou a posição de Flávio Bolsonaro sobre o mercado de apostas. Segundo o jornalista, o candidato afirmou que pretende permitir novamente as apostas esportivas caso seja eleito presidente.
A proposta, conforme relatado por Schneider, faria uma distinção entre apostas esportivas e cassinos on-line. Plataformas associadas a jogos como o popular “Jogo do Tigrinho” permaneceriam proibidas.
A posição coloca a regulamentação das apostas entre os temas que podem aproximar o candidato de setores do futebol afetados pela decisão do governo.
Ainda segundo Rodolfo Schneider, a decisão sobre as bets também vem sendo discutida dentro do próprio campo governista. Integrantes da campanha petista estariam avaliando os possíveis efeitos políticos da medida adotada pouco antes do primeiro turno.
O jornalista afirmou que membros do governo atribuem ao ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, influência na decisão de Lula de adotar uma proibição abrangente para o setor.
O possível posicionamento de clubes no segundo turno, caso avance, acrescentaria uma nova dimensão à disputa eleitoral, colocando no mesmo debate os interesses econômicos do futebol, a regulamentação das apostas e as posições dos candidatos à Presidência.
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