Vida & Estilo Trend da gen Z

Pheromone maxxing: sexóloga explica o que é mito e o que pode influenciar a atração

Trend que viralizou entre a Geração Z prega menos banho e menos perfume para supostamente potencializar o cheiro natural do corpo; especialista alerta para os limites da prática

05/09/2026 15h47
Por: Fernanda Lupper Fonte: Magnific
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Uma nova tendência nas redes sociais tem chamado atenção por transformar o cheiro natural do corpo em uma espécie de estratégia de sedução. Batizado de pheromone maxxing, o movimento ganhou espaço principalmente entre jovens da Geração Z e defende que homens deixem de usar temporariamente banho, desodorante e perfumes antes de encontros, na tentativa de potencializar os chamados feromônios.

A ideia, porém, mistura conceitos diferentes. Segundo a sexóloga Camila Gentile, existe uma diferença importante entre o odor natural de uma pessoa e o cheiro provocado pelo acúmulo de suor e pela falta de higiene.

Cheiro natural não é sinônimo de falta de higiene

De acordo com a especialista, ainda não existem evidências científicas suficientes para afirmar que ficar sem tomar banho aumente a atração sexual.

O fato de o cheiro corporal influenciar a percepção que temos de outra pessoa não significa, necessariamente, que exista um feromônio humano comprovadamente capaz de aumentar diretamente o desejo sexual.

A sexóloga explica que o odor natural pode, sim, participar da experiência de atração, mas isso envolve uma série de fatores, como memória, emoções, familiaridade e vínculo afetivo.

“Existe uma diferença importante entre ter um odor corporal natural e acreditar que acumular suor e ficar dias sem higiene vai aumentá-la. São coisas bem diferentes”, alerta Camila.

Atração pelo cheiro é individual

O cheiro de uma pessoa pode ganhar significados diferentes dependendo de quem o sente e da relação existente entre os envolvidos.

A especialista cita pesquisas que indicam que odores de parceiros e pessoas próximas podem ser percebidos como mais familiares e até associados a características positivas ou sexuais. Isso sugere que a convivência e a conexão emocional também podem influenciar a forma como determinado cheiro é interpretado.

Mas isso está longe de significar que exista uma fórmula universal.

“É altamente individual. O cheiro que uma pessoa considera excitante pode ser desagradável para outra”, reforça Camila.

Suor não aumenta desempenho sexual

Outro equívoco associado à tendência é a ideia de que abandonar produtos de higiene poderia melhorar a performance durante o sexo.

Não há evidências que relacionem o acúmulo de suor ou a falta de banho a um aumento da capacidade sexual, da ereção ou da resistência durante a relação.

Ou seja: sentir atração pelo cheiro natural de alguém é uma questão diferente de acreditar que deixar de cuidar da higiene corporal provocará algum tipo de melhora fisiológica ou sexual.

Higiene continua sendo importante

Para a sexóloga, não é necessário abrir mão dos cuidados pessoais para preservar a individualidade olfativa.

É perfeitamente possível manter características próprias do cheiro corporal mesmo tomando banho, usando desodorante e mantendo uma rotina adequada de higiene.

A tentativa de seguir tendências extremas em busca de maior atração pode, inclusive, produzir o efeito contrário ao desejado.

“Mau odor, desconforto e problemas de pele podem prejudicar a interação social e sexual”, afirma Camila.

No fim das contas, o pheromone maxxing parece partir de uma percepção real a de que o cheiro pode fazer parte da atração, mas transforma essa ideia em uma conclusão que a ciência ainda não sustenta: a de que abandonar a higiene tornaria alguém mais desejável.

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