A Aliança da Misericórdia, organização da sociedade civil de natureza filantrópica criada em São Paulo, em 2000, promoveu uma tarde de fé, música e solidariedade em Brasília. Nessa terça-feira (1º/9), o movimento eclesial recebeu convidados no auditório Alvorada, do Ulysses Centro de Convenções, para o lançamento do clipe “Uma Ponte Entre Nós”.
A canção que conduz a produção foi composta pelo diácono Júlio Neto e por Adriano Moraes, a partir de um encontro que começou em um grupo de oração e acabou se transformando em uma parceria musical.
Em conversa com a coluna, Júlio Neto contou que conheceu Adriano depois que o cantor participou de um grupo de oração realizado em Brasília e teve uma experiência que o aproximou das ações desenvolvidas pela Aliança da Misericórdia.
A partir dali, os dois marcaram um encontro no estúdio de Adriano. O que inicialmente seria uma conversa de apenas 15 minutos acabou se estendendo por cerca de três horas.
Durante o encontro, o diácono apresentou ao produtor detalhes do trabalho desenvolvido pelo movimento. Sensibilizado com a iniciativa, Adriano propôs a criação de uma música em parceria com Júlio e também o convidou para participar do clipe.
A produção musical teve ainda o uso de inteligência artificial para trabalhar as vozes dos dois artistas.
“Dois dias depois, o Adriano mandou a música para mim pronta. Toda. Ele pegou a minha voz, pois falei com ele no WhatsApp, colocou na inteligência artificial e pôs a voz dele também. Inclusive, temos o timbre bastante parecido. Em seguida, me mandou a música finalizada. Eu fiquei emocionado”, relembrou Júlio.
Segundo o diácono, poucos dias depois, o clipe também estava pronto. “É incrível”, afirmou.
O clipe também conta com a participação de José Edgar, que interpreta uma pessoa passando por um processo de transformação após se aproximar de Jesus.
Na narrativa, o personagem atravessa um momento de sofrimento e, durante o caminho para o trabalho, encontra uma pessoa em situação de vulnerabilidade nas ruas. Algum tempo depois, os dois se reencontram dentro de uma igreja.
Para Júlio, essa conexão representa a mensagem central da música: a igreja como um espaço de encontro, acolhimento e transformação.
“Existe um lugar onde todos nós nos encontramos e esse lugar é a igreja. É a ponte. É onde Deus está. Todos recebem oração juntos”, explicou.
Na sequência da história, José Edgar vive uma experiência de fé e é acolhido pelo homem que havia encontrado anteriormente na rua.
Além do lançamento do clipe, o encontro também serviu para apresentar as iniciativas desenvolvidas pela Aliança da Misericórdia na capital federal.
Representantes do movimento, como Rafaela Trida, Taina Pessoa e Isabela Vitti, falaram sobre as ações realizadas em Brasília, entre elas os grupos de oração e trabalhos voltados a pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Uma das principais propostas para os próximos meses é a implantação oficial da Pastoral da Rua na capital.
“A nossa meta é dar início oficialmente à Pastoral de Rua aqui em Brasília já neste segundo semestre. Na capital, nós fazemos trabalhos de vez em quando, mas queremos instituir a pastoral mesmo, no sentido de que ocorram toda semana as visitas às pessoas em situação de vulnerabilidade social”, explicou Júlio Neto.
A iniciativa também pretende apresentar possibilidades de acolhimento e tratamento para pessoas que desejam deixar situações de vulnerabilidade e buscar uma nova perspectiva de vida.
De acordo com a organização, as casas de acolhida vinculadas ao projeto oferecem atendimento gratuito. Os interessados passam inicialmente por uma triagem e, posteriormente, podem iniciar um processo de acolhimento e tratamento que pode durar de nove meses a um ano e dois meses, conforme o projeto apresentado durante o encontro.
Depois dessa etapa, os participantes entram em um período de inserção social e profissional, com atividades voltadas ao aprendizado de uma profissão e à busca por oportunidades no mercado de trabalho por meio de empresas parceiras.
Em São Paulo, uma das iniciativas é a Cidade Rahamim, projeto da Aliança da Misericórdia que recebe pessoas encaminhadas para tratamento.
Segundo Júlio Neto, o nome Rahamim significa “misericórdia mais profunda”. O projeto conta atualmente com uma casa modelo construída, enquanto outras unidades estão em processo de construção.
O frei Gilson também participou da mobilização para a construção de novas casas. A proposta prevê dez unidades, das quais três já foram concluídas e outras sete estão em andamento.
“Com a graça de Deus, vão ser inauguradas também. Tudo é um presente de Deus”, concluiu o diácono.
Entre música, oração e projetos sociais, o lançamento de “Uma Ponte Entre Nós” acabou servindo também como uma apresentação do trabalho que a Aliança da Misericórdia pretende ampliar em Brasília, aproximando fé, acolhimento e assistência às pessoas em situação de vulnerabilidade.
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