Rafa Kalimann chamou atenção dos seguidores ao revelar que está enfrentando um período de burnout depois de uma sequência intensa de compromissos pessoais e profissionais. Em um desabafo nas redes sociais, a influenciadora contou que sentiu uma queda de energia após a Festa do Peão de Barretos e falou sobre a sensação de ter ficado perdida diante da própria rotina.
O relato trouxe novamente à tona um tema que tem se tornado cada vez mais discutido: como diferenciar o cansaço provocado por uma fase intensa da vida de um quadro de burnout?
Segundo a psicóloga Denise Milk, a síndrome está relacionada ao estresse crônico no contexto de trabalho e envolve, principalmente, três dimensões: esgotamento, distanciamento ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e sensação de redução da própria eficácia profissional.
O quadro geralmente não aparece por causa de um único episódio, mas como resultado de uma exposição prolongada a situações desgastantes.
“Excesso de demandas, jornadas prolongadas, pressão constante por resultados, pouca autonomia, falta de reconhecimento ou suporte, conflitos, insegurança e dificuldade de estabelecer limites entre trabalho e vida pessoal podem contribuir”, explica a especialista.
Sentir-se cansado depois de um período particularmente corrido não significa, necessariamente, estar enfrentando burnout.
De acordo com Denise, a diferença está principalmente na intensidade, na duração e no impacto que os sintomas provocam na vida cotidiana.
“Um período mais exigente pode gerar cansaço, irritabilidade e necessidade de descanso, mas existe uma tendência de recuperação quando a demanda diminui”, afirma.
No burnout, porém, o descanso pode deixar de ser suficiente para recuperar a disposição.
“A pessoa pode descansar e continuar se sentindo profundamente esgotada, sem energia e com dificuldade para se reconectar ao trabalho”, complementa.
A psicóloga também chama atenção para a chamada carga mental, que pode fazer parte da rotina de muitas mulheres.
Além das responsabilidades profissionais, tarefas domésticas, cuidados com familiares, organização da rotina e outras demandas podem se acumular, muitas vezes sem uma divisão equilibrada.
“Pesquisas mostram desigualdades importantes na distribuição do trabalho doméstico e de cuidado e associam essa sobrecarga a piores indicadores de saúde mental entre mulheres”, explica Denise.
Nem todo cansaço representa burnout, mas alguns sinais persistentes merecem atenção. Segundo a psicóloga, entre os principais estão:
A presença de alguns desses sinais, isoladamente, não significa que uma pessoa tenha burnout. A avaliação deve considerar a duração, a intensidade e o contexto em que os sintomas aparecem.
Não é preciso esperar que o esgotamento chegue ao limite para buscar orientação.
“Não é necessário esperar chegar ao limite para buscar ajuda. Quando o sofrimento começa a comprometer de forma persistente o trabalho, as relações, o sono ou a capacidade de viver a rotina, já existe motivo suficiente para procurar avaliação profissional”, orienta Denise.
Por isso, quando o cansaço e outros sintomas passam a persistir e interferir na vida cotidiana, buscar acompanhamento de um profissional de saúde mental pode ser um passo importante.
O burnout é uma condição relacionada ao ambiente e à organização do trabalho, e seu enfrentamento pode envolver não apenas cuidados individuais, mas também mudanças nas condições que estão contribuindo para o esgotamento.
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