O corpo de uma mulher ainda parece ser assunto público principalmente quando ela está sob os holofotes. Desta vez, quem passou por isso foi Hailey Bieber. A modelo e empresária foi alvo de comentários maldosos nas redes sociais após imagens suas em um casamento viralizarem.
Internautas fizeram críticas à aparência da celebridade, chegando a dizer que ela estaria acima do peso e a acusá-la de alterar digitalmente o próprio corpo nas fotos que publica.
No último sábado (29/8), o cantor e produtor musical Finneas O’Connell, irmão de Billie Eilish, se casou com a atriz e empresária Claudia Sulewski, em Montecito, na Califórnia. A cerimônia reuniu nomes conhecidos, entre eles Nina Dobrev, Emma Chamberlain, além de Hailey e Justin Bieber.
Para o casamento, Hailey apostou em uma peça vintage do arquivo da Versace: um vestido verde-cítrico originalmente apresentado pela grife nos anos 2000. O visual foi complementado por uma bolsa verde-oliva da Gucci, com detalhes dourados.
A produção chamou atenção pela escolha fashion, mas acabou dividindo espaço com um assunto bem menos glamouroso: o corpo da modelo.
Depois que registros da cerimônia começaram a circular, Hailey passou a receber uma série de comentários sobre sua aparência. Alguns internautas afirmaram que a modelo estaria “gorda”, enquanto outros questionaram se ela teria editado digitalmente as próprias fotos.
A discussão também ganhou força pelo contraste entre as imagens feitas por fotógrafos durante o evento e os registros publicados pela própria Hailey nas redes sociais.
Aos 29 anos, a empresária é mãe de Jack Blues Bieber, de dois anos, e costuma compartilhar no Instagram momentos em que aparece de biquíni ou usando peças que deixam o corpo à mostra. Ela também já protagonizou campanhas para marcas de lingerie e underwear, como Skims e Calzedonia.
O episódio reacende uma discussão antiga na moda e na indústria da beleza: por que o corpo feminino continua sendo tratado como algo aberto à avaliação pública?
Durante décadas, diferentes padrões estéticos foram apresentados como ideais. Nos anos 1990, o chamado heroin chic popularizou uma estética extremamente magra. Atualmente, a busca pela perda de peso ganhou novas ferramentas e discursos, incluindo medicamentos, procedimentos estéticos e intervenções cada vez mais presentes na cultura pop.
A magreza, muitas vezes, aparece associada a conceitos como disciplina, status e beleza. Ao mesmo tempo, profissionais da moda e da saúde têm demonstrado preocupação com a normalização de corpos excessivamente magros e com a pressão estética enfrentada por mulheres famosas.
Celebridades como Demi Moore, Ariana Grande, Jenna Ortega e Kelly Osbourne também já foram citadas em debates recentes sobre os padrões corporais impostos pela indústria.
No caso de Hailey, a contradição chama atenção: a mesma internet que pode cobrar uma aparência extremamente magra também questiona quando uma mulher apresenta qualquer característica que fuja desse padrão.
No fim, a discussão deixa uma pergunta difícil de ignorar: até quando o corpo de uma mulher continuará sendo tratado como pauta aberta para julgamento?
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